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Uma vida de Chuteira



 
 

Entregar jogo??? Conversa fiada!

 

         

 

          A polêmica da semana é a possibilidade do Corinthians entregar o jogo ao Flamengo para prejudicar os rivais do Estado na busca pelo título. Sinceramente acho esse pensamento ridículo! Para quem está em campo isso é conversa fiada. Uma partida entre os times de maiores torcidas do País sempre tem que ser respeitada. Não importa onde ou em quais condições.

          Longe de comparações, até porque o grau de importância era outro, mas meu jogo inesquecível contra o Mengão foi válido pelo Brasileiro de 1991. Eles tinham um baita time. Nós, atuais campeões, vencemos aquele duelo em pleno Maraca por 3 a 2 com um gol que talvez nunca mais saia da minha memória. Fiz meu grande amigo Gilmar quase não sair na foto.

 

         

          Nunca vou chegar aos pés do Ronaldo Fenômeno como jogador, mas naquela época eu tinha o peso de decidir os jogos para o Corinthians. Hoje é ele. E pra quem tem essa responsabilidade nas costas, esse papinho de entregar os pontos é furada.

          Portanto, se Flamengo quer mesmo ser campeão tem que jogar bola, suar "sangue". Não pode ficar contando com corpo mole. Porque senão é bem capaz do Ronaldo decidir sozinho esse jogo. Aí o que vai ter de são-paulino e palmeirense comemorando não vai ser brincadeira.



Escrito por Neto às 23h52
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Há 19 anos... Substituindo o Rei

 

 

          Nesta terça iria falar sobre a minha passagem pelo Santos, mas mudei de idéia depois de ver que sábado agora fez 19 anos do último jogo do Pelé com a camisa da Seleção Brasileira. Aí você vai me perguntar: como assim último jogo se o Rei já está com quase 70? Explico: no dia 31 de outubro de 1990, o estádio Giuseppe Meazza, em Milão, foi palco da partida comemorativa de 50 anos do maior jogador do planeta. E pra mim essa data também é especial.

          Foi exatamente nesse dia que substituí Pelé no finalzinho do 1º tempo e fiz meu primeiro gol pela Seleção Brasileira principal. A sensação de substituir o eterno camisa 10 é indescritível. Ainda sonho com isso às vezes. O adversário era a Seleção do Resto do Mundo onde só tinha fera em campo. Só pra citar alguns: o goleiro era o belga Preud’homme, na zaga o argentino Ruggeri e o uruguaio De León, italiano Ancelotti, o romeno Hagi e o búlgaro Stoichkov formavam o meio-campo, além do holandês Van Basten e o camaronês Milla no ataque.

 

         

          Naquele dia perdemos o jogo por 2 a 1. Mas eu ganhei dois presentes que guardo até hoje. A chuteira do Rei e a bola do jogo. Verdadeiras relíquias. Se é que ainda dava pra melhorar, saímos na noite de Milão depois da partida pra comemorar. Com direito a bolo e tudo.

          Olha só...19 anos! Parece que foi ontem.....



Escrito por Neto às 20h30
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A verdade sobre a "Selegalo"

 

 

          Como prometido falarei hoje da minha conturbada passagem pelo Clube Atlético Mineiro. Quando o presidente Afonso Paulino comprou meu passe fiquei muito feliz. Era talvez a maior oportunidade de marcar meu nome fora de São Paulo. Uma verdadeira Seleção estava se formando. Para se ter uma idéia, antes de mim tinham sido contratados o lateral Luís Carlos Winck, o zagueiro Adílson (hoje técnico do Cruzeiro), e os atacantes Renato Gaúcho e Gaúcho. Na apresentação oficial no CT mais de 5 mil torcedores. Não demorou muito para esse grupo ser batizado de “Selegalo”.

          Nos primeiros jogos o time até foi bem. Lembro que na estréia vencemos o Valeriodoce com um gol meu de falta. Já os treinamentos eram péssimos. O time titular perdia direto do reserva. O menino Reinaldo, centroavante recém-promovido dos juniores atormentava a vida do Canápis, um zagueiro uruguaio ruim de bola. Teve até um dia que ele apelou com o garoto. Desceu a paulada na maldade. Não tive dúvidas, fui pra cima dele. Acabei expulso do treino pelo Espinosa. A verdade é que o dono daquele time era o Renato. Ele deitava e rolava. Fazia o que queria. Não justifica, até porque o ele é um sujeito muito legal. Adoro o Renato como pessoa. Mas aquela equipe ficou sem foco. Não conseguiu formar uma identidade. Na verdade a pegada de boa parte daquele elenco, inclusive eu, era na noite de BH. E nós a “quebrávamos” com estilo. Minha nossa! Tinha cada mulher bonita.

 

 

          Mesmo assim hoje percebo como fui burro de não ter feito sucesso no Galo. Hoje poderia ser ídolo de uma das torcidas mais apaixonadas do mundo. Ao menos encho a boca para falar que fui o único de todos que fizeram aquele papelão a deixar lucro para o Atlético. Fui vendido ao Santos e o Galo ainda ficou com o passe do Dinho. De quebra deixei de receber os quatro meses de salários que estavam em contrato. Não merecia aquela grana. Agora publicamente gostaria de pedir desculpas à massa atleticana. Foi uma pena aquele time não dar certo. E olha que apesar do fiasco ainda fomos vice-campeões mineiros em 94. Vai entender, né?



Escrito por Neto às 16h00
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Na altitude de Bogotá

 

 

 

Hoje vou falar um pouquinho da minha experiência no futebol sul-americano. Quando deixei o Corinthians, em meados de 93, acertei com Millonários, um dos clubes mais populares da Colômbia. Fui sabendo que jogar na altitude de mais de 2600 metros de altitude da capital Bogotá era difícil. Mas não imaginava o quanto. Tive recepção de ídolo no aeroporto da cidade. Muito legal o carinho e a admiração que a torcida azul dos “Millos” demonstraram comigo.

 

Lembro de ter levado meu irmão Richard comigo. Ele me ajudava em tudo até porque o portunhol dele era muito melhor que o meu. No início fiquei morando em um hotel. Tinha receio de dar qualquer passo sem antes consultar o presidente do clube, Francisco Feoli Bonilla. Ao andar nas ruas via um monte de gente com metralhadoras. Era algo realmente assustador. Digno de correspondente de guerra. Pra se ter uma idéia da gravidade dos fatos, uma vez peguei um táxi até um shopping e fui barrado no estacionamento. A explicação do segurança é que não deixavam táxi entrar com medo de carros-bomba. É brincadeira???

 

 

Mas mesmo com aquilo tudo conseguir jogar bem no Millonários. Pelo menos o pouco tempo em que estive lá. A lembrança mais marcante dentro de campo foi um clássico contra o Nacional de Medellín. O estádio “El Campín” estava lotado. O goleiro Castanheda (que até já defendeu a Seleção Colombiana), não parava de falar. Era reclamação daqui, provocação dali. Chato pra caramba! Saímos perdendo aquele jogo. Mas depois empatamos com um gol meu de falta. Aí não agüentei e no lance seguinte dei um carrinho nele e fui expulso. Minha nossa! Foi um dos caras mais chatos que já encontrei em campo.

 

No final das contas fiquei menos de três meses na Colômbia. O Millonários entrou em crise financeira e não teve mais grana pra pagar o Corinthians. Resultado? Voltei para o Brasil. Mais precisamente no Atlético-MG. Mas essa história conto na próxima semana. Ok?



Escrito por Neto às 15h54
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A decisão da minha vida

 

 

          Como prometi contarei hoje a história da grande final do Brasileiro de 1990. Lembro que tínhamos vencido o primeiro jogo contra o São Paulo. Um a zero, gol meio de joelho do Wilson Mano. Passada a semana da derradeira decisão, a pressão era grande. Qualquer coisa que falássemos poderia ser usada como arma pelo grande mestre Telê Santana.


          Dia 16 de dezembro. Morumbi com mais de 100 mil espectadores. O som dos rojões quase atrapalhou nossa preleção dentro do vestiário. Me recordo de estar tranqüilo e bem confiante. Mas o time em si estava mole demais. Quase tomamos gol no primeiro tempo. Precisávamos de um chacoalhão. E ele veio no intervalo.  Na conversa tática com aquele quadro com pecinhas indicando cada jogador, nunca vou me esquecer do Nelsinho chutando aquilo e gritando com toda força que seríamos campeões.  Voou madeira e pedra pra todo lado. Aquilo motivou demais.

 
          Voltamos com mais moral e logo no início da segunda etapa fizemos o gol com o Tupã, um sujeito tão predestinado quanto desprestigiado. Esse cara foi um dos grandes jogadores da história do clube e isso pouca gente fala. Mas enfim, lembro de ter sido substituído no final pelo Ezequiel. Era a consagração. Saí aplaudido, mas ainda nervoso.

 

 

 
          Quando o árbitro Edmundo Lima Filho apitou o fim, o tempo parou. Aquela volta olímpica com a taça e as centenas de pessoas que festejavam com a gente no gramado parece ter acontecido em questão de segundos. Depois, para aliviar toda a tensão desci para o nosso vestiário, sentei na privada e acendi um cigarro. Praticamente não tinha noção do significado que aquele jogo teria mais tarde.


          Na mesma noite voltamos para a concentração no Hotel Samoa. “Seu” Matheus de tão pão duro nem pra pagar uma festa, é brincadeira??? Mas foi legal. No saguão revi a taça, toda imponente e reluzente. Dei um migué e a levei para o meu quarto. Só depois vi o desespero que causei. Todo mundo em pânico atrás dela. Estava em minhas mãos o título mais importante da história corintiana até então. Depois devolvi para o João Bosco, nosso assessor de imprensa, mas as lembranças ficaram para sempre no meu coração.



Escrito por Neto às 18h33
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A cusparada da discórdia

 

 

Queria aproveitar a oportunidade para contar de uma vez por todas a fatídica história da minha cusparada no árbitro José Aparecido. Lembro que no começo da temporada de 1991 tive problemas com o técnico Cilinho, que acabara de assumir o Corinthians. Ele queria me afastar do time sem motivo aparente. Só que para o azar dele o Matheus (presidente) e a Fiel acabaram me “segurando”. Era meu auge como jogador. Talvez tenha sido minha melhor temporada da carreira. Nunca fiz tantos gols.  Mas aquele 13 de outubro começou difícil. Sabe aqueles dias que você mal consegue sair da cama? Pois é, fomos para o Morumbi para enfrentar o Palmeiras. Clássico tenso. Muitas faltas nos primeiros minutos. O Verdão fez dois gols com o Betinho. Nós fizemos um com o Wilson Mano. A má arbitragem e toda aquela pressão que envolvia o jogo me fizeram cometer uma falta até certo ponto desleal no César Sampaio. Lance idiota no meio-campo. Ai... como me arrependo! Aí veio o Zé Aparecido, que tinha invertido um monte de lance durante a partida, me expulsar. Minha reação inicial foi a de dar um soco no rosto dele. Mas infelizmente o impulso me fez ter atitude pior: a de cuspir. Aquele gesto negativo ecoou nos quatro cantos do País. Minha condenação foi quase unânime. Nove dos dez auditores do antigo TJD me puniram por 120 dias. Foi difícil.

 

 

Só que pra minha sorte o que eram pra ser quatro meses se transformou em apenas dois e alguns dias. Uma anistia do Papa somada ao período de férias dos atletas, me fizeram retornar antes do que imaginava. Não a tempo de participar da final do Paulista de 91, ano que o São Paulo foi campeão.

 

Mesmo assim minha relação com Aparecido ficou desgastada. Não poderia nem ser diferente, né? Até que em um programa de TV alguns anos depois (eu já tinha até parado de jogar), nos encontramos e ao vivo tive a oportunidade de pedir desculpas. Pra minha sorte o ser humano José Aparecido de Oliveira, gerente de banco, pai de família, as aceitou. As palavras do Zé naquele momento encerraram algo que estava perdido no tempo, inacabado. Até por isso hoje não preciso e não me incomodo mais com essa história. Ela faz parte do passado.



Escrito por Neto às 13h21
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Dérbi da minha vida

 

 

Em homenagem ao Dérbi campineiro do último sábado gostaria de contar hoje uma história pessoal que me marcou neste grande clássico do interior paulista. Sempre que jogava contra a Ponte Preta com a camisa do Guarani me dava bem e marcava gols. Lembro de uma das minhas primeiras experiências nesse duelo em 1983. Ainda juvenil fomos ao Moisés Lucarelli para enfrentar a Macaca. Clima tenso. Se não me engano valia classificação pra fase final do Paulista da categoria. Nosso técnico era “Seu” Pupo Gimenez, o mesmo tiozinho que até outro dia era visto comandando times na Copa São Paulo. Por sinal ele sempre teve o dom pra trabalhar com molecada. Um baita treinador!  Me recordo de chegar para ele que tinha acabado de assumir o cargo e pedir pra jogar com a camisa 10. Desde aqueles tempos gostava do número. Não sei o porquê já que nunca fui supersticioso. Mas trazia sorte e isso me bastava.

 

Com um público até razoável no estádio, aquela partida começou difícil. Tinha um zagueiro lá que fungava o tempo todo no meu cangote. Vi no banco o técnico deles pedindo para ele não desgrudar de mim. Na ocasião magrinho, com uns 16 anos, eu voava em campo. Com o passar do tempo fomos cadenciando a partida, a Ponte foi cansando e goleamos por 5 a 1. Fiz três gols. Um deles com passe do meu amigo de infância Vagner (que posteriormente acrescentaria ao nome de “guerra” o sobrenome Mancini, hoje técnico de futebol).

 

O mais legal é que depois desse jogo inesquecível o técnico dos profissionais, Cláudio Duarte (ex-lateral do Inter nos anos 70), pediu para que eu começasse a treinar entre os profissionais do Bugre. Nem passei pelos juniores, o que seria a ordem natural das coisas.  Por isso é importante essa molecada dar valor a cada momento no início da carreira. Essa pelo menos foi a minha história. O Dérbi da minha vida...



Escrito por Neto às 00h31
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Na banda dos Menudos

 

 

 

Logo que retornei de empréstimo do Bangu em meados de 86, o presidente do Guarani na época, Leonel Martins (coincidentemente o mesmo de hoje em dia), decidiu me emprestar para o São Paulo. A proposta era boa e tal. Teria sido inclusive um pedido do “Seu” Pepe, técnico do Tricolor na oportunidade. Lembro de ter ficado muito feliz porque já naquela época eles carregavam consigo a fama de clube organizado e bom pagador.

 

O fato é que cheguei em meio a disputa do Brasileiro. Tinha apenas 19 anos. Eram os já famosos “Menudos do Morumbi” voando baixo. Não pude fazer parte do elenco porque já tinha participado de alguns jogos pelo Bangu. De qualquer forma acompanhei de perto a turma de Silas, Muller, Careca, Pita e Sidney. Eles jogavam demais! Foram campeões brasileiros sobrando em campo.

  

 

Estreei pouco depois em uma excursão pelas Américas. Meu primeiro gol pelo Tricolor saiu em um amistoso contra a Seleção da Jamaica. Entrei no lugar do Vizolli e fiz um na vitória por 2 a 0. Apesar de nunca gostar de esperar, àquela altura ficava com orgulho no banco do Pita. E o mais legal é que como ele era craque e vivia na Seleção, sempre sobrava uma vaguinha para mim. Nessas me recordo de fazer duas grandes partidas pelo Paulistão de 87. Uma contra o Bandeirante, onde fiz o único gol da vitória; e outra contra o América de Rio Preto, que terminou empatada em 1 a 1 e fiz o gol são-paulino.

 

Só que depois que “Seu” Pepe saiu e assumiu o Cilinho tive muitos problemas de relacionamento. Não concordava com a postura autoritária dele e acabei afastado. Fiquei uma semana treinando separado. Mas com a ajuda dos próprios companheiros, retornei. E a tempo de fazer aquele inesquecível jogo do dia 23 de agosto de 1987. Semifinal contra o Palmeiras. Vencíamos por 2 a 1 suado quando o Muller sentiu uma lesão na coxa. O Cilinho só olhou pra mim e fez positivo com a cabeça. Entrei e pouco tempo depois o Pita sofreu uma falta na intermediária. Arrisquei de lá mesmo. Não tinha o que perder. Pra falar a verdade, minha intenção era fazer o Zetti dar rebote pro Lê ou pro Edivaldo. E não é que ele aceitou aquele frangaço? Embaixo das pernas. No final vencemos por 3 a 1 e seguimos com tudo rumo ao título estadual. O mais legal é até hoje tiro um sarro com o Zetti e tudo mais. É um grande amigo! Ainda bem que esse lance não marcou negativamente a carreira dele, que foi extremamente vencedora. Mas pra mim sim. Aquele gol ficou marcado. E vou lembrar dele pra sempre.



Escrito por Neto às 01h00
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Obrigado Leão, obrigado Ribamar!!!

 

 

Nesta terça-feira contarei a curiosa história da minha passagem pelo Palestra Itália. Tudo aconteceu no final de 1988. Depois de fazer uma boa temporada no Guarani, onde consegui o vice-campeonato Paulista e a medalha de prata com a Seleção nas Olimpíadas, o presidente do Bugre na época, Beto Zini, me chamou na casa dele. Lá ele disse que acabara de vender meu passe ao Palmeiras. Fui envolvido em uma negociação juntamente com o Careca Bianchesi. Fiquei muito feliz. Principalmente por saber que tinha sido um pedido do próprio técnico do Verdão, Emerson Leão.

Lembro até hoje de correr pra minha mãe e pra minha noiva contando a novidade. Tudo parecia perfeito. Mas foi só até começar a pré-temporada em São José dos Campos. Logo nos primeiros dias via uma clara divisão do grupo na hora das refeições. A pedido do treinador, jogadores com tendência a engordar, como eu, o Gaúcho e o Caçapa, tinham alimentação diferenciada. Pra falar a verdade isso era o de menos. Com o passar dos dias ficou evidente o tratamento cruel da comissão técnica. O preparador físico Inaldo Alves, famoso por utilizar métodos esquisitos de trabalho, fazia esse mesmo grupo treinar com coletes de borracha presos ao corpo. A gente até passava mal de calor. Uma baita coisa ultrapassada!

Mesmo com esses contratempos conseguimos montar um time forte e vencedor. Ficamos 23 jogos sem perder. Conquistamos até aquela Taça dos Invictos. Mas atuando bem ou mal o Leão sempre me substituía. Pura birra. Eu e o Dario Pereyra sofríamos na mão daquele ditador.

 

 

 

Depois de perdermos a única partida do semestre para o Bragantino, o mesmo cara que pediu minha contratação, me trocou com o Corinthians pelo Ribamar. Foi um dos dias mais tristes de toda minha vida. Além de ser um Hitler comigo, ainda me dispensou. Fazer o que, né? Por caminhos tortuosos o Leão acabou sendo o sujeito mais importante da minha vida. Afinal, não fosse ele não teria jogado no Corinthians e talvez não tivesse tido a mesma projeção na carreira.

           O fato é que não ter feito o Palmeiras campeão foi uma de minhas frustrações. Pouca gente sabe, mas mesmo com boa parte da torcida do Verdão me odiando, tenho um carinho e um respeito enorme pelo clube. Foi graças ao Palmeiras que consegui pela primeira vez minha independência financeira. Obrigado Leão, obrigado Ribamar!!!!



Escrito por Neto às 19h22
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Um dia especial na minha vida

 

 

 

            Hoje é 9 de setembro de 2009. Dia em que completo 43 anos bem vividos. Um período praticamente dedicado em tempo integral ao futebol. Me recordo especialmente dessa data na temporada de 1992. Fazia naquela ocasião 26 anos de idade e estava prestes a entrar em campo com a camisa do Corinthians para mais uma rodada do Campeonato Paulista. O adversário era o Juventus da Mooca. Milhares de pessoas se espremiam nas arquibancadas da Fazendinha. O relógio demorava a passar. Era noite. Quando pisei no gramado com o pé direito, a Fiel fez uma homenagem sincera e comovente. Cantaram um parabéns inesperado. Aquelas vozes me fizeram lembrar da infância pobre que tive em Santo Antônio de Posse. Era possivelmente o presente de aniversário mais lindo que tinha recebido até então.

 

 

            Quando começou o jogo estava com espírito renovado. Tínhamos uma equipe competitiva. Lembro que fiz o segundo gol no tempo final de jogo. Se não me engano o Nilson marcou o primeiro. Vencemos por 2 a 0 e no final o Basílio, meu técnico na época, avisou que tinha um bolo em minha homenagem. Aquilo foi mais do que especial. Dificilmente vou esquecer. Hoje como comentarista posso parecer ranzinza, meio mal humorado, mas na essência sou um cara feliz e extremamente realizado. Situações como essa me fizeram assim.    



Escrito por Neto às 00h21
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Uma história de superação

 

 

Quero homenagear os 99 anos de história do Corinthians contando um relato pessoal que se funde com uma das passagens mais importantes do clube. O dia era 6 de dezembro de 1990. Data da primeira semifinal do Brasileirão daquele ano. Nossa equipe, desacreditada por boa parte dos críticos e da própria torcida, já tinha superado o Atlético-MG nas quartas em duas partidas emocionantes. Mesmo assim, muitos davam o Bahia como favorito. Mas nós tínhamos o apoio da Fiel, que lotava as imediações do estádio do Pacaembu.

 

Nosso time estava à bordo do ônibus batizado de “Mosqueteiro II”. Fazíamos o trajeto tradicional rumo ao estádio quando, na própria avenida Pacaembu, o trânsito parou. Naquele tempo não tinha essa força toda do CET, batedores policiais, etc... Simplesmente ninguém passava. Foi quando nosso motorista, o Ivo Caqui, avistou um carro impedindo nossa passagem.

 

Naquele momento o improvável aconteceu. Enquanto eu e o Ronaldo estávamos sentados lá no fundo do ônibus, vi o presidente Vicente Matheus, no alto de seus 81 anos, descer pela porta da frente e, sozinho, começou a empurrar o carro tentando livrar o caminho. A comoção foi tão grande que todo mundo desceu pra ajudar. E conseguimos.

 

 

 

Aquele gesto do Matheus me emociona até hoje. Foi emblemático e empolgante. Tanto que vencemos aquele jogo por 2 a 1 de virada. Tive a oportunidade de fazer um dos gols. O veinho ficou feliz. Ele era um sujeito duro, mas extremamente honesto e apaixonado pelo Corinthians. Onde ele estiver, deve estar contente com esses 99 anos de história. Glórias que ele ajudou a construir, literalmente, com as próprias mãos.   

 



Escrito por Neto às 18h10
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Na cidade maravilhosa

 

 

 

 Nesse espaço semanal vou escrever sobre minha carreira de jogador profissional. Afinal, em mais de 20 anos calçando chuteiras, tenho muita coisa pra contar. Pra começar queria falar um pouco da minha passagem pelo futebol carioca. Um período importantíssimo na minha vida pessoal.

 

Tudo começou em 1986, quando insatisfeito com meu jeito meio rebelde, o presidente do Guarani na ocasião (por coincidência o mesmo de hoje), Leonel Martins de Oliveira, resolveu me emprestar para que eu ganhasse experiência em outros centros. O Bangu, na oportunidade liderado pelo bicheiro Castor de Andrade, estava tentando reforçar o forte time vice-campeão Brasileiro de 85. Já estavam lá caras como o goleiro Gilmar, o zagueiro Mauro Galvão, o atacante Marinho e o técnico Paulo César Carpegiani. “Seu” Castor fechou o negócio e me pagou os 15% que eu teria direito à vista em uma mala de dinheiro. Para um caipira de Santo Antônio de Posse ver aquilo tudo de grana foi inacreditável!

 

 

Na cidade maravilhosa morei no Hotel Intercontinental. Mordomia mesmo. Levei minha mãe e minha irmã pra ficar comigo. Alguns de meus familiares e amigos sempre estavam lá. O que acabou me trazendo um prejuízo danado já que quando saí de lá, gastei quase toda minha “malinha” tendo de pagar aquelas garrafinhas de bebidas. Sabem? Os pinguços secavam o frigobar todo dia. E o pior é que o pessoal do hotel pensava que era eu o cachaceiro.

 

 

No Bangu disputei um Campeonato Brasileiro no que, pra mim, foi um aprendizado incrível. Adorei o Bangu, sobretudo “Seu” Castor, que sempre honrou tudo que me prometeu. Mas no final do ano o empréstimo acabou e para a alegria da minha mãe, que não agüentava mais os ares da metrópole, retornei à Campinas. Na verdade não foi pra lá, foi para outra grande cidade. Mas essa história conto na próxima semana. Até mais...  



Escrito por Neto às 18h05
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